O Arnaldo – Centro Universitário realizou, no último dia 16 de maio, o VI Seminário de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil: a conduta clínica e seus desafios, reunindo estudantes e profissionais das áreas da Psicologia, Direito, Educação e campos afins para uma manhã de aprofundamento teórico e clínico sobre o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Realizado no Teatro do campus Funcionários, o evento integrou as ações relacionadas ao 18 de Maio – marco internacional de combate à violência sexual infantojuvenil – e promoveu reflexões sobre os impactos subjetivos do abuso, a escuta clínica e os desafios éticos envolvidos no cuidado psicanalítico.

A abertura foi conduzida pelas professoras Cynthia Tannure e Danielle Matos, do curso de Psicologia do Arnaldo. Em seguida, a programação contou com a conferência “A Escuta clínica em um atendimento psicanalítico de um caso de abuso sexual”, ministrada pela Profa. Dra. Cassandra Pereira França, com mediação da psicóloga Nathalie de Siqueira Theodoro Garnique Rosado.

Professora titular do Departamento de Psicologia da UFMG, Cassandra Pereira França é doutora e pós-doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e referência nacional em estudos sobre infância, adolescência, gênero e violência sexual infantojuvenil. Psicanalista com ampla atuação em ensino, pesquisa e extensão, coordena o Instituto CAVAS e o Núcleo de Pesquisas CAVAS/UFMG, desenvolvendo trabalhos voltados à clínica psicanalítica, sexualidade e enfrentamento das violências sexuais contra crianças e adolescentes.

Durante o seminário, Cassandra apresentou discussões fundamentadas em sua experiência clínica e em produções acadêmicas voltadas à compreensão dos impactos psíquicos do abuso sexual infantojuvenil. Entre os materiais debatidos esteve o artigo “Pai fouveiro: o pacto perverso”, publicado na revista Psychê, assim como no livro Tramas da perversão: a violência sexual intrafamiliar, no qual a autora analisa, a partir da clínica psicanalítica infantil, como fragilidades na sustentação da função paterna e da lei simbólica podem repercutir na constituição subjetiva da criança.

A mediação do encontro foi realizada por Nathalie de Siqueira Theodoro Garnique Rosado, psicóloga graduada pelo Centro Universitário Arnaldo Janssen, com atuação clínica de orientação psicanalítica. Nathalie é pós-graduanda em Psicanálise Contemporânea pela Universidade FUMEC e atua como analista técnica na Diretoria de Serviços e Benefícios Socioassistenciais da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (SEDESE). Também integra o Comitê Estadual Interinstitucional de Monitoramento da Política Antimanicomial (CEIMPA), participando de discussões e ações voltadas à promoção do cuidado em saúde mental e dos direitos das pessoas em sofrimento psíquico.

Ao longo da discussão, foram abordadas as relações entre a introjeção da lei simbólica, os processos de subjetivação e os impactos emocionais que atravessam o desenvolvimento infantil. Um dos pontos destacados no encontro foi a importância das primeiras sessões clínicas, entendidas como momentos em que conteúdos fundamentais da análise aparecem de maneira condensada e podem oferecer pistas importantes para a condução terapêutica.

As reflexões também enfatizaram a necessidade de sensibilidade na escuta clínica e no uso das interpretações, respeitando o tempo subjetivo da criança e os mecanismos psíquicos mobilizados diante do trauma. Questões relacionadas à construção de limites, à função parental e à articulação entre família, escola e análise apareceram como elementos centrais para o cuidado integral de crianças e adolescentes em sofrimento psíquico.

Outro aspecto debatido foi o caráter preventivo da clínica infantil. A partir da intervenção precoce e do acompanhamento adequado, o espaço analítico pode favorecer a elaboração de conflitos e minimizar os impactos futuros das experiências traumáticas, fortalecendo possibilidades de simbolização e desenvolvimento emocional.

Além das discussões acadêmicas e clínicas, o seminário também abriu espaço para manifestações artísticas ligadas à temática do cuidado, da inclusão e da expressão subjetiva. A programação contou com a exposição “Do trauma que cala à arte que fala”, da jovem artista Victoria Prudente Pereira, de 14 anos, integrante do projeto de inclusão Céu e Terra, realizado no Arnaldo. Bailarina e violonista, Victoria apresentou obras inspiradas no enfrentamento à violência sexual infantojuvenil, utilizando cores e elementos simbólicos para transformar dor em reflexão e consciência social. O evento também contou com apresentação musical de Welbert Marliere, músico, professor e integrante do projeto Céu e Terra, reforçando o compromisso da iniciativa com a inclusão, a arte e a promoção de espaços de expressão e acolhimento.

Ao promover o encontro, o Arnaldo – Centro Universitário reafirma seu compromisso com a formação crítica e humanizada de profissionais da saúde e da educação, incentivando discussões fundamentais para o enfrentamento da violência sexual infantojuvenil e para o fortalecimento de práticas clínicas responsáveis e sensíveis à complexidade do tema.

VI Seminário Enfrentamento Violência Sexual Infantil