O Arnaldo – Centro Universitário promoveu o VII Seminário em Comemoração ao Dia da Luta Antimanicomial, reunindo estudantes, professores, profissionais da saúde mental e militantes da causa em um espaço marcado pela troca de saberes, reflexões críticas e fortalecimento do compromisso com o cuidado em liberdade. O evento reafirmou a importância da Reforma Psiquiátrica brasileira e dos princípios da luta antimanicomial na construção de práticas de cuidado mais humanas, éticas e socialmente comprometidas.

Com o tema voltado aos desafios contemporâneos da saúde mental, o seminário contou, em sua primeira mesa, com o debate “A clínica e a política no campo AD: desafios contemporâneos”. Participaram da discussão Kelly Nilo, gerente da Rede de Saúde Mental de Belo Horizonte e mestre em Ciências Sociais, e Pedro de Paula, psicólogo, mestrando em Ciências Sociais pela PUC Minas e militante da luta antimanicomial. A mediação foi conduzida pela psicóloga Roberta Dornelas e pelo professor Renato Ávila, docente do curso de Psicologia do Arnaldo.

Na segunda mesa, intitulada “A Desinstitucionalização como princípio do cuidado em liberdade”, o psicólogo Luís Eduardo Moura Coelho abordou experiências e desafios do acompanhamento terapêutico e dos serviços residenciais terapêuticos no contexto da saúde mental. A mediação ficou a cargo do professor Marcelo Arinos Drummond Junior, psicólogo, mestre em Psicologia Social e militante histórico da luta antimanicomial.

O evento contou ainda com a participação especial do representante dos usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), Sr. Roberto, que abrilhantou o seminário ao compartilhar sua vivência, trajetória e importantes contribuições sobre o cuidado em saúde mental a partir da perspectiva dos usuários da rede.

Além das discussões acadêmicas e profissionais promovidas pelo seminário, a mobilização em torno do 18 de Maio — Dia Nacional da Luta Antimanicomial — teve forte participação estudantil. Neste ano, os alunos do curso de Psicologia, por meio da “Liga Acadêmica de Psicologia Social Entre Nós”, promoveram um importante movimento de letramento e conscientização sobre a história da luta antimanicomial e sua relevância social e política.

Ao longo das semanas que antecederam o desfile do 18 de Maio, foram realizados momentos de conversa, reflexão e construção coletiva dentro da universidade, envolvendo estudantes em oficinas de produção de chapéus, cartazes e materiais levados ao ato público. A iniciativa contou com a condução da psicóloga Nathalie Theodoro, que contribuiu para o aprofundamento das discussões sobre saúde mental, cuidado em liberdade e os desafios ainda presentes no enfrentamento às práticas manicomiais.

Os estudantes também participaram efetivamente do desfile promovido pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental, reafirmando o compromisso da universidade com uma formação crítica, ética e alinhada à defesa dos direitos humanos. A participação no ensaio de bateria do movimento também proporcionou aos alunos a experiência da arte, da cultura e da coletividade como formas de resistência e expressão política.

Mais do que um evento acadêmico, o VII Seminário em Comemoração ao Dia da Luta Antimanicomial consolidou-se como um espaço de fortalecimento do diálogo entre universidade, sociedade e serviços de saúde mental, reafirmando a defesa de uma sociedade sem manicômios, pautada no acolhimento, na dignidade e na liberdade.